Se entender como gente

Maria Yeda Guajajara

Em entrevista, a anciã Maria Yeda Guajajara conta um pouco sobre a sua trajetória de vida e familiar. Ela lembra que vive em Maçaranduba o mesmo número de anos da chegada da Estrada de Ferro. Conta que antes de se deslocar para a aldeia vivia com seus irmãos no lugar de Marabaia, aparentemente afastado de povoados. Quando chegou, além da sua família, tinham poucas casas no local. Segundo ela, tudo era mata, por isso tinha caça e pesca à vontade. Ainda sobre esse tempo, diz que o primeiro chefe da aldeia foi Antônio Veloso, que na época havia muitas doenças e boa parte dos medicamentos eram advindos da mata e que os homens trabalhavam na roça, não sendo necessário comprar nada além de sal. Maria Yeda diz que os constantes deslocamentos para Auzilândia fez com que ela e outros companheiros “topassem” com os Awá-Guajá e alguns caraís, resultando muitas vezes em trocas culturais. Além de tudo isso, lembra que desde muita nova se pintava, quebrava coco babaçu e pilava arroz.

Vindo de Marabaia

Lá onde nós tava não tinha caça assim não, o pessoal já tinha invadido lá também. Acabou com a mata, foi então que a gente veio para cá, do jeito que tô dizendo. O tio do meu filho carregou ele quando tinha 7 anos e trouxe para cá. Desde então eu tô por aqui.
Mas quando cheguei não tinha karaiu de jeito nenhum aqui não. Tudo era mato! Não tinha negócio de karaiu pelo meio não.

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